Caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura nas pernas e braços, o lipedema é frequentemente confundido com obesidade ou linfedema, atrasando o diagnóstico e o tratamento adequado.
Você já ouviu falar em lipedema? Apesar de atingir cerca de 11% das mulheres no mundo, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), o lipedema ainda é uma doença pouco reconhecida, inclusive por muitos profissionais da saúde. A condição, crônica e progressiva, causa dor, inchaço e acúmulo desproporcional de gordura, especialmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, braços — geralmente poupando mãos e pés.
“É uma doença que vai muito além da estética. Tenho lipedema, sinto dor constante, hematomas espontâneos surgem nas pernas, e tem impacto direto na qualidade de vida”, explica Fernanda Martinho
❗ O que é o lipedema?
O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, de provável origem hormonal e genética. Ele ocorre quase exclusivamente em mulheres e geralmente aparece ou se agrava após eventos hormonais, como a puberdade, gravidez ou menopausa.
A gordura acumulada no lipedema é resistente à dieta e aos exercícios, o que muitas vezes leva à frustração e baixa autoestima. Além disso, pode evoluir para quadros de mobilidade reduzida e sobrecarga nas articulações.
🔍 Diagnóstico ainda é um desafio
Por não ser amplamente discutido na formação médica tradicional, o lipedema é comumente confundido com obesidade ou linfedema (acúmulo de líquido). Isso atrasa o diagnóstico correto por anos.
“Passei quase duas décadas achando que eu era ‘gorda de pernas’, tentando de tudo para emagrecer. Só fui diagnosticada com lipedema aos 42 anos”, relata Fernanda Martinho
O diagnóstico é clínico e deve ser feito por um profissional capacitado, geralmente angiologista, cirurgião vascular ou dermatologista.
⚖ Diferenças entre lipedema, linfedema e obesidade
| Condição | Características principais |
|---|---|
| Lipedema | Gordura simétrica, dolorosa, que não afeta mãos/pés |
| Linfedema | Inchaço assimétrico, afeta mãos ou pés |
| Obesidade | Distribuição generalizada de gordura, sem dor local |
💡 Há tratamento?
Sim. Embora não exista cura definitiva, há diversas formas de controlar os sintomas:
- Fisioterapia e drenagem linfática
- Atividade física leve (como caminhada e hidroginástica)
- Uso de meias de compressão
- Tratamentos nutricionais anti-inflamatórios
- Procedimentos cirúrgicos, como a lipoaspiração específica para lipedema
A cirurgia é considerada em estágios mais avançados ou quando os tratamentos clínicos não são suficientes.
📣 Conscientização é o primeiro passo
Movimentos de pacientes têm ganhado força nas redes sociais, pressionando por mais reconhecimento da doença e acesso a tratamentos pelo SUS e planos de saúde. Em 2023, o lipedema foi incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) pela OMS, com o código EF02.2, fortalecendo o debate sobre políticas públicas de saúde.
“Saber o nome da doença foi libertador. Deixei de me culpar por algo que estava fora do meu controle”, diz Fernanda, emocionada.
A história dela é uma entre milhares que ainda lutam por um diagnóstico e por mais empatia. Falar sobre lipedema é, acima de tudo, um ato de cuidado e respeito com o corpo feminino.
📌 Para saber mais:
- Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular: www.sbacv.org.br
- Associação Brasileira de Lipedema: www.lipedema.org.br



